O Parto

Oi gente,

O post de hoje é pra relatar o momento mais incrível da minha vida, o meu parto, o momento em que eu vi pela primeira vez o rostinho da minha pequena. Se preparem porque me conhecendo bem o post vai ser longo, bem longo….hahahaha!

Bom, desde que me entendo por gente, sempre falei que eu queria parto normal, mesmo antes de pensar em ter filhos, nunca me passou pela cabeça uma cesariana, nada contra, mas é uma cirurgia e como toda cirurgia tem um pós operatório, e podendo optar prefiro o parto normal.

Logo no fim do primeiro trimestre da gravidez troquei de obstetra, graças ao meu bom Deus, achei O MÉDICO, o Dr. Igor Padovesi. Desde a primeira consulta me encantei com o jeito dele, calmo, paciente, e o mais importante de tudo em um obstetra: DISPONÍVEL!

Logo na primeira consulta já deixei clara a minha preferência pelo parto normal, mas eu já sabia que ele era super a favor do parto normal, até porque foi por isso que cheguei até ele. Óbvio que eu aceitaria um parto cesariana em caso de REAL necessidade.

No intervalo entre a primeira e a segunda consulta eu assisti um documentário chamado “O Renascimento do Parto” e decidi que queria um parto normal humanizado, na mesma hora comuniquei ao marido, que deu um chilique porque achou que parto humanizado era parto domiciliar, nada contra o parto domiciliar, mas eu queria um parto humanizado hospitalar, restava então comunicar ao Dr. Igor.

Por coincidência, exatamente na mesma semana que decidi pelo parto humanizado o Dr. Igor publicou um vídeo explicando sobre o procedimento e se dizendo super favorável ao mesmo.

Perfeito, tinha o apoio do marido e do médico, era tudo o que eu precisava!

A minha gravidez foi super tranquila, apenas os incômodos normais de uma gestação, mas com 38 semanas me afastei do trabalho pra pisar no freio e dar uma relaxada, fora que meu ciático andava me incomodando bastante.

Com 39 semanas e 3 dias eu comecei a sentir umas contrações de treinamento doloridas, monitorei num app de gravidez, mas foi alarme falso, logo as cólicas passaram.

Eu estava super tranquila, tentava não pensar muito no assunto pra não ficar ansiosa, mas confesso que as pessoas perguntavam toda hora e isso ENCHIA O SACO (hahahaha) eu entendo a curiosidade e ansiedade das pessoas, mas você tenta focar em outras coisas e todo mundo te lembra que a qualquer momento você vai parir, fueda!

Bom, mas voltando… Com 39 semanas e 5 dias eu acordei de madrugada pra fazer xixi e estava com uma dor estranha, na hora não identifiquei como cólica, era um incômodo constante, voltei pra cama e tentei dormir, mas a dor persistia. Quando deu umas seis da manhã meu marido acordou pra ir pro Jiu Jtsu e contei pra ele da dor, ele me perguntou se eu achava que era contração e eu disse que não sabia e ele respondeu: Então não deve ser, já li que toda mulher sabe quando está em trabalho de parto! Virou as costas e se foi.

Eu em vão, tentei a voltar dormir, mas a dor evoluiu e comecei a sentir uma cólica na lombar que ia e vinha, nessa hora comecei a monitorar no app porque pela primeira vez achei que pudesse estar entrando em trabalho de parto. As contrações estavam a cada 3 ou 4 minutos e duravam uns 50 segundos. Nesse mesmo dia eu tinha consulta as 11 da manhã, por isso nem me preocupei

Quando deu umas 8:30 a dor tinha aumentado bastante e pensei comigo mesma, não vou conseguir dirigir pra ir na consulta, liguei pro marido e falei, volta pra casa que a dor aumentou e não vou conseguir dirigir.

Chegando na consulta fiz meu primeiro exame de toque (puta coisa desconfortável, aff), o Dr. Igor disse que o colo já estava bem fino, com dilatação de 1 dedo e meio e que provavelmente seria naquela noite, no máximo na madrugada. Pediu pra eu ir pra casa, tentar relaxar, fazer uma refeição leve e quando a dor apertasse, falou pra ir pro chuveiro que aliviaria bem, e quando eu sentisse que não dava mais, era pra eu ligar pra ele e ir pro hospital.

Voltei pra casa e no caminho a dor já tinha apertado bastante, lembro que nessa hora falei pro meu marido que se em algum momento eu disse que não queria anestesia, era mentira! Hahahaha! Isso porque eu queria tentar o parto humanizado sem nenhuma intervenção farmacológica, mas naquele momento já tinha desistido disso.

Tentei almoçar, mas comi super pouco porque a dor já tinha me tirado o apetite, fui pra cama, chuveiro, cama de novo, chuveiro e umas 5 da tarde eu vomitei de tanta dor, a dor era tanta que chorei, mas minha bolsa não tinha estourado e eu também não tinha perdido o tampão mucoso.

As 6 da tarde meu marido ligou pro Dr. Igor e relatou como eu estava, ele pediu pra falar comigo e quando ouviu meu tom de voz me mandou pro hospital e disse que a enfermeira obstetra já ia estar à minha espera.

No meio do caminho eu falei pro marido que tudo o que eu não queria era chegar no hospital e só ter 2 dedos de dilatação, mas foi exatamente o que aconteceu. 😦

A médica do Einstein que me examinou falou que minha bolsa estava quase estourando e me mandou comer um chocolate porque a Luanna estava dormindo e precisávamos dela acordada pra ajudar no trabalho de parto.

E lá vai a Leticia comer o chocolate e caminhar pelos corredores do hospital, pra cima e pra baixo, e as contrações apertando.

Uma coisa que afirmo é que a equipe médica faz tooooda diferença, depois que a Aline e Alessandra (enfermeiras obstetras da equipe do Dr. Igor) me ensinaram a respirar durante as contrações, a dor melhorou demais, tanto que eu relutei muito pra pedir pela anestesia.

Quando deu umas 9 da noite eu fiz o quarto exame de toque e só tinha 4 dedos de dilatação, confesso que nessa hora fiquei super desanimada, eu já estava super cansada de fazer os exercícios e a dilatação estava evoluindo muito lentamente, mas em nenhum momento pensei na cesárea e ninguém da equipe à sugeriu, até porque eu e a bebê estávamos sendo monitoradas constantemente e estava tudo ótimo conosco.

Depois desse exame de toque, finalmente eu comecei a perder o tampão mucoso e optei por ir pra banheira (já tinha passado um tempo debaixo do chuveiro). Lembro que nessa hora a enfermeira Aline perguntou se eu não queria pedir pelo anestesista, porque ele demoraria 1 hora mais ou menos pra chegar, mas eu ainda estava relutante.

Pausa:

Eu vejo todas as famosas lindas, penteadas e maquiadas nas fotos de parto, inclusive parto normal, óbvio que também me maquiei, mas a essa altura eu já estava um bagaço, toda suada, com a pele oleosa e o cabelo preso num coque. Alguém me diz, por favor, como elas conseguem????

Voltando:

Ainda estava na banheira (a dor melhora DEMAIS na banheira) quando o Dr. Igor me ligou e perguntou porque eu ainda não tinha chamado pelo anestesista e eu expliquei que na banheira a dor tinha melhorado e que eu achava que ainda dava pra aguentar. Nessa hora ele me explicou que assim que eu tomasse a anestesia meu corpo ia relaxar e a dilatação ia evoluir bem mais rápido, e eu estava achando que era o contrário, que o trabalho de parto ficava mais lento porque o bebê também era atingido pela anestesia (de verdade não sei se li isso em algum lugar ou se alguém me falou, não me lembro).

Mesmo depois dele ter me explicado eu resolvi que ainda ia tentar sem anestesia. Eu estava lá de buenas na banheira, mas a água esfriou e tive que sair, com isso a mardita da dor voltou com TUDO, arreguei e pedi pelo anestesista.

Quando o Dr. Guto (anestesista) chegou (não lembro exatamente a que horas foi isso, mas acho que era meia noite e pouco) a equipe me preparou pra receber a anestesia, o marido que até então estava assistindo Naruto (sim, ele curte desenho japonês), parou para assistir a anestesia e arregalou o olhão quando viu o tamanho da agulha, eu de verdade não estava nem aí, já tinha sentido tanta dor que uma picada não me faria mal e honestamente além do choque na perna não senti nenhum incomodo na hora da anestesia.

Assim que pedi a anestesia o Dr. Igor também foi pro hospital e depois de meia hora da anestesia ele fez um novo exame de toque e pra minha felicidade eu estava com 8, sim ooooooito dedos de dilatação, UHU!!!! Fiquei beeeeem feliz nessa hora! E a bolsa que estava explodindo as 6 da tarde quando cheguei no hospital, nada de estourar.

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E lá vamos nós pros exercícios novamente, na primeira tentativa de agachamento pós anestesia, desci e não consegui subir, minhas pernas e bunda ficaram muito dormentes e apesar de ainda sentir as contrações as pernas pararam de obedecer. Agachamento fail, lá vamos nós pra bola de pilates pra rebolar e tentar fazer a Luanna precuiçosinha encaixar, fiquei ai alguns minutos, mas fui surpreendida por contrações muuuito fortes que fizeram o anestesista dar uma reforçada, nessa hora voltei pra cama porque minhas pernas já estavam 100% desobedientes.

Dr. Igor faz outro exame de toque e agora já estávamos com 9 dedos (aleluia), mas a danada da bolsa não estourava e ele resolveu dar uma ajudinha…rs! Antes dele estourar a bolsa eu ficava toda hora perguntando se a Luanna já tinha encaixado e a resposta era sempre não, depois que ele estourou eu perguntei e ai encaixou? Todo mundo riu (Dr. Igor, marido, anestesista e enfermeira) e o Dr. Igor respondeu, se ela encaixou? Já estamos vendo os cabelinhos dela, e olha como tem cabelo viu?

Nessa hora lembro que me deu um nó na garganta e meus olhos encheram de água, pensei Meu Deus, ela tá chegando! Só de lembrar da cena e da sensação me emociono!!! Nessa hora o marido já estava do meu lado, emocionado, mas tentando ficar firme, fazendo piadinha e tals…

Lembro que a enfermeira estava me ensinando a empurrar na hora da contração e disse vamos lá! E o Dr. Igor interrompeu e disse, não faz força ainda não que se empurrar ela sai e a Dr. Tati (obstetra auxiliar) está terminando de por as luvas! Todo mundo riu…

O clima estava super leve e descontraído, o Dr. Igor perguntou se tínhamos uma playlist especial ou se ele podia colocar a dele, eu estava tão ansiosa que apesar de ter minha playlist falei pra ele colocar a dele, de verdade eu nem conseguia prestar atenção na música que estava tocando.

Foram 3 empurrões e senti perfeitamente os ombros dela saindo de mim as 2:14 da manhã do dia 20.07.2016, ouvi o chorinho dela, pausa para as lágrimas que insistem em cair… E senti um clique, como se a vida mudasse de canal. Nessa hora meu marido apertou forte a minha mão e me beijou  e eu olhei pra ele tentando achar palavras, mas nem eu e nem ele conseguimos dizer nada, não consigo descrever a emoção que senti.

Dr. Igor me entregou ela que estava chorando meio engasgada e ele falava repetidamente, calma que ela tá respirando pelo cordão, fica calma ela tá no cordão. Lembro que olhei pra ela ainda antes de chegar nos meus braços e disse: Filha, calma a mamãe está aqui! Na mesma hora ela parou de chorar, arregalou um olhão como se estivesse me procurando. Assim que chegou no meu colo, ficou calma e olhava dentro dos meus olhos e só sei dizer que eu nunca senti nada parecido na vida, como se o amor transbordasse de nós duas, como se nós ainda fossemos só uma. Naquele momento eu só via ela e meu marido, como se toda a equipe médica tivesse desaparecido da sala.

2016-07-20-07-22-02

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Meu marido cortou o cordão umbilical depois de alguns minutos, eu não deixei fazer nenhum procedimento médico na Luanna (colírio de mercúrio, sonda e etc.) A pediatra Dra. Moara (que ainda é a nossa pediatra), apenas examinou, limpou e tirou as medidas dela, na sequência ela já veio pro meu peito e ficamos ali só nós duas por uma meia hora, nessa meia hora eu fiquei tentando buscar palavras para descrever o que eu estava sentindo, mas ainda hoje não encontrei nada que descreva a emoção de parir um filho, eu só sei que é a melhor sensação do mundo!

2016-07-20-08-22-00

Desculpem se me estendi muito, mas é difícil achar as palavras certas pra descrever um momento tão intenso como esse, e nada do que eu escrevi chega a 1% do que senti.

Até a próxima aventura!

Beijos

2 comentários em “O Parto

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