O Sabor Amargo do Puerpério

Até engravidar eu não tinha nenhum conhecimento dessa palavra “puerpério”, nunca na vida tinha ouvido, mas como depois que a gente engravida, estuda muito sobre tudo que gira em torno da maternidade, descobri o que era e de verdade achei que tinha me preparado para esse período.

Pra quem não sabe, de acordo com o dicionário, puerpério é o período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação.

Pra quem já passou por isso, sabe é um período f#d@ pra c@r@i#! Sério, é muito difícil, os hormônios estão 100% bagunçados, a mulher fica completamente descompensada, emocionalmente instável, ao mesmo tempo que você sente o maior amor do mundo por aquele bebezinho minúsculo, você se sente incapaz de cuidar dele. A privação do sono chega a ser enlouquecedora e você se cobra o tempo todo pra ser forte e ser uma super mãe e ai você se culpa porque sempre acha que não sabe o que tá fazendo. Pra piorar você lembra que sempre viu fotos da famosas lindas, magras, penteadas e maquiadas no pós parto nas capas de revista, e você tá lá com o peito ferido, de pijama, cabelo sujo, se sentindo gorda, flácida e horrível, fora que tá sangrando horrores, super apertada naquelas calcinhas pós parto, o peito vazando leite e doendo, mas ao mesmo tempo sentindo um amor avassalador, não querendo que ninguém cuide da sua cria. É muito louco, muito foda!

E o meu puerpério? Bom, ele superou todas as expectativas e foi bem pior do que eu imaginava. E olha que meu obstetra super me alertou e alertou o marido, sobre puerpério, baby blues, depressão pós parto, mas nada te prepara pro que está por vir…

Na maternidade é tudo maravilhoso, por mais que você não consiga descansar, você tem o auxilio de profissionais 24 horas por dia e isso te deixa muito segura, lembro que no dia de ir pra casa já comecei a sentir uma certa angústia, principalmente em relação à amamentação, a Luanna feriu meu peito na primeira pegada e no hospital eu tive muita ajuda pra amamentar.

Os minutos pós alta já foram cheios de emoção, acabei não amamentado a Luanna porque um colega de trabalho estava no quarto e bem na hora que estávamos saindo do quarto ela começou a chorar de fome, a enfermeira pediu pra eu só amamentar em casa pois ela ia vomitar ao andar de carro. Eu tentei segurar, mas ela ficou brava de verdade e acabei amamentando pelo menos um pouco na recepção do hospital.

Lembro que a hora em que pisamos em casa eu senti um certo pânico, mas tentei manter a mente sã! Fui direto amamentar, ela logo adormeceu e o pai ficou com ela pra arrotar e eu desfazer as malas.

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A primeira noite em casa foi tensa, bateu o cansaço dos dias sem dormir na maternidade, mas mal conseguíamos dormir, a Luanna chorou bastante e quando ela dormia ficávamos de olho pra ver se ela estava respirando, ela ficou num moisés ao meu lado na cama.

Nessa primeira noite meu peito feriu muito. Eu já voltei do hospital com o seio esquerdo ferido e por isso estava dando mais o direito, mas nessa noite ela arregaçou o direito também.

Ela parecia um despertador, a cada 3 horas queria teta! Ah! Uma coisa que ninguém te explica é que o bebê mama a cada 3 horas (não é uma regra, algumas mamam a cada 2 ou 1 hora) da hora que ele começou a mamar e não da hora que ele acabou de mamar, ou seja, você amamenta, põe pra arrotar, nessa hora o RN faz cocô e você tem que trocar a fralda, nisso já foi praticamente 1 hora, resumindo: se você fechar o olho e dormir a hora que terminar todo o job, te restam 2 horas de sono pra recomeçar o ciclo. Só que quem disse que o bebê dorme quando você põe no berço? O bebê chora, quer colo e só dorme no colo, você faz ele dormir 1000 vezes, põe no berço e ele abre o olhão e chora, resumo, você praticamente não dorme! E pra deixar a situação um pouco pior, você PRECISA dormir pro seu corpo produzir o leite.

A amamentação pra mim foi uma das parte mais dolorosa do puerpério, não porque o peito feriu, e sim porque a insegurança boicotou meus planos, mas isso é papo pra outro post, senão vou me alongar muito.

Voltando….

As coisas estavam caminhando, não como eu queria (por causa da amamentação), mas estavam indo, até que há exatamente uma semana depois de ter saído da maternidade, numa sexta-feira fria de inverno a Luanna ficou estranha, super prostrada e pendurada no peito o dia todo, se tirava ela gemia, até dormindo ela gemia, à noite comecei a sentir ela quentinha,  suspeitei de febre e pegamos o nosso super termômetro infra vermelho (puta cagada comprar, não dá pra confiar) pra medir a temperatura, o termômetro apontou para 36,7 mas eu não me convenci e peguei o termômetro digital e bingo, 37,4. Ligamos para a pediatra que na hora mandou ir pro hospital (febre em recém nascido é grave e pode levar a óbito), ela estava de plantão lá e nos receberia. Nessa hora minhas pernas já ficaram bambas e meus olhos encheram de lágrimas, meu marido e irmã olharam pra mim e disseram, você tem que ser forte, ela precisa de você. Engoli o choro, limpei as lágrimas e puxei um força não sei de onde, fomos para o Einstein e chegando lá minhas pernas tremeram de novo, a primeira suspeita é sempre de meningite, colheram o lícor, furaram os bracinhos dela que era tão pequenininha, e ela se mostrou tão forte e corajosa que me obrigou a ser também.

A febre aumentou e resolveram internar, mas graças a Deus o exame deu negativo para meningite. Como não sabíamos o que era, medicaram com um antibiótico super potente, porque se fosse alguma bactéria (que é o mais perigoso) o antibiótico iria combater. Só deixaríamos o hospital depois de 72 horas sem febre, na segunda-feira seria meu aniversário e me doeu saber que passaria o meu primeiro aniversário depois de ser mãe com minha bebezinha internada, ia doer de qualquer jeito, mas tudo no puerpério toma proporções gigantescas…

Meu marido foi pra casa pegar nossas coisas e eu chorei muito, chorei de soluçar, rezei muito, pedi pra Deus olhar pra nós e tirar o que quer que fosse da minha pequena! Senti como se eu não merecesse ser feliz, eu sei que parece loucura, mas foi o que senti. Fora a culpa, essa pegou pesado, achei que tinha sido alguma coisa que fiz de errado e me culpei muito, chorei mais ainda e pedi perdão, pra Deus e pra minha filha!

O marido chegou, me abraçou, disse que ia ficar tudo bem, que ela era forte e que eu precisava ser também, chorei de novo, senti tanta tristeza, tanta culpa, tanta dor que não sei dimensionar, estou aqui escrevendo e chorando só de lembrar da dor e tristeza que senti.

Naquela hora só pensava, PQP o que eu fiz pra passar por isso, minha filha não tem culpa, porque que não foi em mim.

Os dias foram passando e além da dor e da culpa eu sentia uma solidão horrorosa, estávamos a 3 dias isoladas no quarto, por não saber o que era não podíamos ter contato com ninguém, até os médicos e enfermeiros tinham que entrar de máscara. Nem que pudesse eu não queria receber visitas, mas senti uma solidão avassaladora, as pessoas me ligaram no meu aniversário e eu não tinha vontade de atender ninguém, ao mesmo tempo que queria colo, queria chorar e desabafar toda minha angústia, mas não me sentia confortável de fazer isso com ninguém. Quando meu pai ligou e começou a me confortar (ele é muito sábio com as palavras e me conhece como ninguém), chorei que nem criança, só queria que ele estivesse lá naquele momento pra eu deitar minha cabeça no colo dele e chorar toda a minha dor, ele me disse que depois de ser mãe eu sempre ia sofrer pelos filhos, até quando eles fossem adultos e que naquela hora eu tinha que confiar em Deus e ser forte, porque minha filha precisava de mim! Chorei muito, depois enxuguei as lágrimas, olhei pra minha filha e disse você vai ficar bem, eu Creio!

Graças a Deus depois desse dia ela não teve mais febre e no quarto dia de internação descobrimos o que era. Ela teve enterovírus que é um vírus que ataca no intestino, não é nada grave, mas tudo em recém nascido é perigoso porque o sistema imunológico deles é muito imaturo. Ficamos internadas durante 5 dias.

Como o vírus foi transmitido por alguma visita, decidi que até ela completar 1 mês eu não receberia mais ninguém em casa e assim foi. Eu já tinha dito pro marido que não queria visitas nos primeiros 15 dias, mas infelizmente não conseguimos evitar… 😦

O puerpério por si só já é fueda, agora imagina passar por isso, óbvio que isso agravou minha situação, eu chorava por tudo e por nada! Minha vontade as vezes era engolir a Luanna pra ela voltar pra barriga e ser só minha, de ficar protegidinha lá, loucura eu sei, mas a gente fica meia louca mesmo. Mas as coisas vão se ajeitando, a gente vai se acostumando com a nova vida, vai aprendendo a entender o chorinho deles e vai ficando cada vez mais natural.

Eu tive a sorte da Luanna não ter muita cólica, acho que Deus pensou, coitada dessa mãe, já se frustrou com a amamentação, teve a filha internada com 9 dias, ela não merece passar pela fase das cólicas…rs! Brincadeira, acho que mãe nenhuma merece, mas infelizmente a maioria dos bebês e das mães passam por isso. Aqui durou só quinze dias, logo que começou a gente deu Colikids e pra ela super resolveu, graças a Deus.

Ah! Fora tudo isso ainda tem os pitacos, parece que todo mundo sabe cuidar melhor do seu filho do que você. Parece que você tá fazendo algo errado o tempo todo, se o bebê dorme no seu quarto, tá errado, se o bebê mama de madrugada tá errado, se você dá muito colo tá errado, tudo vai deixar o bebê mal acostumado. E o pior de tudo pra mim, são aquelas pessoas que sequer tem filhos, mas falam que você tá fazendo errado, que quando tiverem o delas vai fazer assado. No puerpério esses pitacos machucam a gente, depois apenas nos incomodam, mas a gente já tá tão segura que dá uma reposta bem dada! Porque vamos combinar que é muito fácil dar pitaco na vida alheia, né?

Mas é isso gente, não é fácil, mas passa, eu sei que pra quem tá passando por isso, parece uma eternidade, mas passa tão rápido que a gente praticamente esquece. A maternidade é muito sábia, as dificuldades ficam guardadas num lugarzinho bem escondidinho, que a gente tem que se esforçar pra lembrar, o que fica mesmo são os momentos maravilhosos, a lembrança do cheirinho de leite do recém nascido, ah! que saudade desse cheirinho!

Comigo o que ajudou muito foi amparo que recebi nas redes sociais, parece ridículo, mas como eu não me sentia à vontade pra desabafar com quase ninguém, encontrei consolo nas redes sociais, muitas mães que só conheço no mundo virtual me ampararam ao responder minhas dúvidas ou comentar e ajudar nos meus desabafos no Instagram, é estranho mais a maternidade as vezes nos afasta de algumas amizades (que estão em outra fase), mas nos une a mães que nunca vimos na vida, como se fosse uma corrente do bem, quando uma amiga solta a nossa mão, uma mãe agarra e nos ajuda a levantar.

Por isso, não se sintam desamparadas! Estamos todas juntas!!!!

Um beijo!

 

6 comentários em “O Sabor Amargo do Puerpério

  1. Nossa menina que barra vc passou, meu puerpério foi tranquilo, só me sentia mto cansada, mas confesso pra vc que estou mais exausta agora do que qdo minha filha nasceu RS, mas o que me ajudou bastante foi minha mãe ter vindo pra me ajudar, senão nem sei como seria, no dia que ela foi embora eu chorei por umas 2 horas imaginando como seria dali pra frente, eu só me frustrei um pouco pq eu não conseguia cuidar dela e dá casa ao mesmo tempo, e cada vez que procurava algo sobre isso era pior pq toda mamãe que eu via dava conta e eu não 😔, mas enfim passou, até hj não sei dar conta de ser mãe, esposa, profissional, mulher e dona de casa RS, é uma loucura só rsrs . Tô adorando o blog, parabéns. Bjs

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    1. Pois é, eu não sei se essas mães conseguem mesmo ou fingem, pra mim é impossível! Graças a Deus com a casa eu sempre tive ajuda!
      Infelizmente minha mãe é falecida, acho que a ajuda dela seria a única que eu ia conseguir aceitar!

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  2. Nem imagino o susto e o medo de ter que voltar para o hospital com a bebê tão pequenininha. O puerpério é muito difícil e ninguém fala sobre isso. Só fui descobrir o que era quando já estava com a gravidez avançada. A troca de experiências via redes sociais com mães que não conheço mas que estão passando pela mesma situação também foi o que me ajudou.

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  3. Leticia, tive o mesmo sentimento assim que botei o pé em casa. Depois disso, aconteceu de novo quando o marido voltou ao trabalho depois de 3 semanas comigo e o bebê. Eu também nunca havia ouvido falar em puerpério e suas dificuldades, bem como do lado doído da amamentação. Eu penei até conseguir amamentar sem dor. É complicado mesmo ouvir os pitacos. Até hoje tem gente que fala quando vê o bebê dormindo no meu colo “mas por que você não coloca no carrinho?”. Aff… 🙄Assim como você eu procurei apoio na internet, principalmente no Babycenter. Algumas mães são extremamente solidárias e me escreveram dando um super apoio. Alguns dos comentários eu leio sempre para me recordar que não é só comigo que acontecem certas situações e que em algum momento vão melhorar.

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